Por Osmar Corrêa esportes@odebateregional.com.br

Edição 403 de 25/01/2013

Domingo chuvoso

A chuva começou pela madrugada, os pingos de chuva, como melodia, iam batendo e escorrendo pela janela. Você aproveitou para dormir até mais tarde, porque hoje não deu para ir à feirinha do bairro comprar legumes e hortaliças. O pão ficou para mais tarde, mas não muito tarde, pois a padaria do bairro fecha ao meio dia.

Então quando levantar vai fazer um cafezinho no ponto, esquentar o leite desnatado, ler o jornal, e tomar café com o panetone que sobrou das festas natalinas, que você já estava cansado de comer. Agora lhe parece tão delicioso, pois será o último e não haverá fabricação até o final do ano.

Você liga a televisão, a Globo neste horário apresenta Pequenas Empresas, Grandes Negócios. Você se interessa por uma matéria. Você vai conhecer o concreto ensacado que é o ultimo lançamento da construção civil. Apesar de mais caro, ele vem pronto no saco especial, que tem uma válvula pela qual se despeja o concreto, com água misturada à argamassa dentro da embalagem. Prático não? Custa apenas de R$14,00 a 30,00 reais.

Enquanto isso, a chuva mansa e calma cai lá fora. Árvore da rua derrubada, folhas secas pela calçada, e as que caem na sarjeta seguem pela enxurrada, rua abaixo, como barquinhos pelo mar. E lembrando uma antiga canção, você improvisa “E o barquinho pelo mar, dá vontade de sorrir, dá vontade de cantar, dá vontade de chorar, dá saudade você. Que se foi como barquinho pelo mar. Dá vontade de lembrar, dá vontade de chorar”.

E no rádio ligado só música sertaneja, que nada tem de barquinho, não fala de chuva, não fala de mar. Apenas pornografia barata... Ai que saudade da censura... Bem que ela podia voltar com a chuva e cobrar esse barato que sai caro, para nossos ouvidos conservadores... 

Na espera pela trégua da chuva, que era necessária, mas que você necessita que ela cesse para receber uma visita tão desejada, que lhe trará outro domingo feliz e cheio de alegrias. E parece que lá em cima São Pedro o ouviu e a chuva parece estar cessando aos poucos. Logo é hora do almoço e adivinhe quem vem para almoçar?? Errou! Não é ele, é ela.

Chuva fina no telhado, na vidraça, chuva que se esparrama no solo e vai para o mar. Chuva que para uns traz boas lembranças e para outros se mistura a suas lágrimas por um momento de tristeza, por um amor mal amado, por uma lembrança triste acontecida em um dia assim.

Chuva que traz de volta as aleluias, chuva que molha as penas dos pássaros em seus ninhos descobertos ou nos galhos mais altos da árvore de sua rua. Mas os pássaros não deixam de emitir seu canto de paz, mesmo com a chuva a cair sobre si e molhar seu frágil corpo.

Chuva que cai como lágrimas divinas do céu, sobre a planta ressecada, pelo chão escaldante dos dias que passaram, e nela ressurge como milagre divino, no seu florescer. Chuva que traz alento, a produtores rurais, para produzirem nosso prato alimentício do dia, que faz manter viva a esperança de um ano melhor. Ela é abençoada mesmo caindo num dia de domingo e atrapalhando seus programas de lazer...

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